Ciclo Evolutivo

A D. hominis faz um ciclo indireto, ou seja, ela não se aproxima de um animal.

As fêmeas de tamanho grande e de porte superior aos machos, em condição de vôo capturam um inseto vetor, um zoófilo para oviporem massa de ovos no seu abdomen.

Os foréticos ou veiculadores das larvas da D. hominis, devem possuir algumas características importantes para levarem os ovos contendo larvas até os hospedeiros, ou seja:

  • Têm que ter atração para os animais (hábitos zoófilos)
  • Têm que ter hábitos diurnos
  • Têm que ter tamanho igual ou menor do que a D. hominis
  • Não devem ser muito ativos

Se tem reportado acima de 50 espécies de veiculadores dos ovos do berne, sendo que as principais moscas vetoras são a Stomoxys calcitrans (mosca-dos-estábulos), a Musca domestica (mosca doméstica), a Hydrotaea aenescens, e a Sarcopromusca pruna.

São moscas com hábitos diurnos, que procuram abrigar-se em locais onde haja vegetação abundante e onde os animais procuram descansar ou proteger-se do sol, como capoeiras, bambuzais, capineiras etc..

O início do ciclo se dá em dias muito quentes, quando os animais procuram sombreamento para se protegerem do sol e calor e então são atacados pelas moscas vetoras, contendo massas de ovos que variam de 30 a 60 ovos.

Agregados uns aos outros,os ovos se apresentam na forma de massa, semelhante a uma cacho de bananas, sendo que se mantém fixos uns aos outros impermeabilizados por substâncias secretadas pela D. hominis, por um tempo médio de 8 dias.

Após o amadurecimento dos ovos (embrionamento), as larvas desenvolvidas escapam, quando a mosca veiculadora pousa sobre o hospedeiro, estimulada pela temperatura corpórea e liberação de CO2.

A larva infestante uma vez em contato com a pele, movimenta-se em média em 20 minutos até penetrar, localizando-se no tecido subcutâneo.

Durante 35-50 dias a larva desenvolve-se no tecido subcutâneo do animal, alcançando a fase de 3º ínstar (média 32 dias) ou seja a sua maturidade.

Após estar amadurecida cai no solo, de preferência em local umedecido e protegido onde inicia a sua fase de pupa.

O período pupal também sofre influência climática e temperatura de 25° C e umidade relativa de 60 a 80%, este período pode variar de 30 a 43 dias, com média de 42 dias, acontecendo após a metamorfose, do qual emerge-se a mosca adulta, apta a copular e capturar os vetores e reiniciar o ciclo holometabólico.

Normalmente, a emergência dos adultos do pupário ocorre pela manhã e 3 a 6 horas pós emergência, tanto machos como fêmeas iniciam a cópula, em média 3 a 4 vezes.

A mosca adulta desprovida de aparelho bucal não se alimenta e sobrevive de 4 a 19 dias.

A larva penetra através do folículo piloso alcançando o tecido subcutâneo, onde se aloja até completar os seus ínstares (L1, L2 e L3).

As regiões de maior incidência são os membros anterior, barbela e costal até a altura da última costela.

Na região posterior a quantidade de berne é menor, devido ao movimento caudal do animal.

Normalmente cada orifício nodular corresponde ao desenvolvimento de uma larva, entretanto, pode-se encontrar eventualmente duas ou três larvas se comunicando na mesma abertura.

Quando a infestação advém de insetos veiculadores de hábito alimentar lambedor, nota-se a formação de extensas áreas de bernes formando placas.

É que essas moscas se aglomeram em torno de exudato e assim as portadoras de ovos (foréticas), deixam escapar larvas no local com mais abundância.

Uma fêmea de D. hominis pode ovipositar até 200 ovos, em várias posturas.

Em síntese, o ciclo total do berne pode durar em média de 3 a 5 meses.