Diagnóstico

O diagnóstico das clostridioses é através da observação dos sintomas e pelo histórico da propriedade, como por exemplo se fornece sal mineral, se os animais são vacinados, etc..

Entretanto, o diagnóstico somente na observação visual é muito difícil, pois a maioria dos microorganismos têm uma vida saprófita, sendo normalmente encontrados no trato intestinal dos bovinos.

Os materiais coletados durante a necrópsia deverão ser enviados ao laboratório sob refrigeração o mais rapidamente possível.

Devido a má conservação podem ocorrer diagnósticos errados, pois os agentes causadores das clostridioses podem multiplicar-se rapidamente após a morte do animal ou as toxinas serem inativadas por serem muito lábeis.

O C. perfringens, C. septicum eC. sordellii são variavelmente saprófitas do trato intestinal e fígado dos bovinos sadios, enquanto o C. haemolyticum e C. novyi tipo B são saprófitas do trato intestinal de bovinos sadios, mas somente em áreas endêmicas específicas.

Desta forma, o isolamento desses agentes é de pouca importância, devendo-se detectar as toxinas presentes nos tecidos coletados logo após a morte do animal.

Outros aspectos importantes que auxiliam no diagnóstico é o histórico da vacinação e da evolução dos sinais clínicos, como também a porta de entrada dos agentes microbianos, do local onde ocorre a replicação do Clostridium e/ou a produção da toxina bacteriana.

Porta de entrada da bactéria


Ingestão

  • Clostridium chauvoei
  • Clostridium haemolyticum
  • Clostridium novyi tipo B
  • Clostridium perfringens tipos, A, B e C
  • Clostridium perfringens tiposB, C e D
  • Clostridium botulinum C e D

Feridas

  • Clostridium septicum
  • Clostridium chauvoei
  • Clostridium sordellii
  • Clostridium perfringens
  • Clostridium novyi
  • Clostridium tetani

Orifício da teta

  • Clostridium perfringens 

Local da Replicação Bacteriana ou produção de toxinas 


Músculo

  • Clostridium chauvoei

Fígado

  • Clostridium haemolyticum
  • Clostridium novyi tipo B

Intestino delgado

  • Clostridium perfringens tipos A, B, C e D

Ossos e carcaças em decomposição,água parada e fontes de alimentação

  • Clostridium botulinum C e D

Feridas

  • Clostridium septicum
  • Clostridium chauvoei
  • Clostridium sordelli
  • Clostridium perfringens
  • Clostridium novyi
  • Clostridium tetani

Glandula mamária

  • Clostridium perfringens 

Critérios para Diagnóstico Laboratorial


Mionecroses

a) Carbúnculo Sintomático ou Manqueira

Os principais achados clínicos são claudicação, crepitação na massa muscular onde o agente se multiplica, morte rápida (12 a 36 horas) devido a toxemia.

Muitas das vezes se encontram animais mortos devido ao tempo de evolução da doença.

O diagnóstico é feito pela presença de lesões nas regiões de maior massa muscular, como nos quartos traseiros, pescoço e região escapular podendo localizar-se com uma frequência menor na base da língua, região intermandibular e diafragma.

A musculatura apresenta-se escura e inchada, com uma cor vermelho-amarronzada para negra, odor rançoso, com um aspecto esponjoso em função da presença de bolhas de gás entre as fibras musculares.

Ao ser submetida ao corte a superfície muscular se apresenta seca, circundada por um edema, caracterizando-se um quadro de miosite.

Pode ser encontrado fluido sanguinolento nas cavidades pleural e peritoneal, podendo aparecer um edema hemorrágico e necrose muscular.

Para se ter a certeza o diagnóstico, deve-se proceder aos exames laboratoriais para isolamento e identificação do agente infeccioso ou através da observação de esfregaços de tecidos corados pelo método de Gram e confirmados por imunofluorescência direta, empregando antisoros específicos.

Os materiais que deverão ser encaminhados para o laboratório são pequenos fragmentos dos músculos lesados de fígado e de baço cortados em pequenos cubos, sangue do coração ou líquidos e fluidos obtidos pela punção de lesões, obtidos com seringa e agulhas estéreis, tomando-se o cuidado de vedar a entrada da mesma, após a expulsão do ar contido no aspirado.

Todos os materiais deverão ser enviados para o laboratório sob refrigeração.

Gangrena Gasosa ou Edema Maligno

As lesões que aparecem nos animais doentes são muito semelhantes às encontradas no Carbúnculo sintomático, com algumas variações dependendo do agente envolvido.

À necrópsia são encontradas áreas musculares escuras e com exsudação, podendo aparecer enfisema pulmonar.

A pelagem apresenta-se com um aspecto gangrenoso, com edema subcutâneo generalizado e nas subserosas são encontrados pontos hemorrágicos.

Na necrópsia deverão ser colhidos materiais dos ferimentos por raspado, sangue do coração e pedaços do fígado, conservados em um frasco estéril e em refrigeração.

No laboratório, o diagnóstico é o mesmo para a Carbunculo sintomático, utilizando-se antisoros específicos para diferenciação dos agentes.

Doenças Neutrópicas

a) Botulismo

O diagnóstico é baseado nos sintomas clínicos e nos dados epidemiológicos, pois nos achados de necrópsia não são encontradas lesões que possam determinar uma certeza de diagnóstico, pois as neurotoxinas se restringem a nível molecular, porém pode-se observar petéquias hemorrágicas no miocárdio em função do processo pré-agônico.

No laboratório são feitos trabalhos para isolamento do microorganismo e pesquisa de toxinas, em que os materiais para análise devem ser coletados após a morte do animal ou através do sacrifício no estado pré-agônico.

Este procedimento não dará tempo para produção de toxinas após a morte do animal, o que poderia interferir no resultado dos exames laboratoriais.

As partes colhidas do animal para envio ao laboratório são cerca de 250 g do conteúdo intestinal, conteúdo ruminal, fragmentos de fígado e 20 ml de soro sanguíneo, colocados em frascos estéreis e mantidos sob constante refrigeração.

O mesmo procedimento deve ser feito para o envio de materiais orgânicos, como cama de frango, silagem, água contaminada etc..

No laboratório, a pesquisa de toxinas é feita pela letalidade dos filtrados do conteúdo intestinal e ruminal, soro sanguíneo e fígado, para camundongos com posterior neutralização com antisoros específicos, ou seja o teste de soroneutralização, em que o tipo de toxina presente é determinado pela sua neutralização com antitoxina homóloga.

Achados de necrópsia de fragmentos ósseos, no rúmen e no retículo, levam à suspeita de uma deficiência mineral, que poderiam ter causado o aparecimento da doença.

Tétano

O diagnóstico é feito através do histórico, dos sintomas clínicos da doença e detecção da lesão, pois não se encontram lesões que possam levar a um diagnóstico preciso.

Enterotoxemias

a) Enterite Hemorrágica Aguda

Segundo o Dr. Francisco Carlos Lobato e a Dra. Anna Christina de Almeida, a carcaça dos animais mortos apresentam-se com distensão gasosa, produzidas antes ou depois da morte, com os vasos sanguíneos subcutâneos engurgitados.

Animais submetidos à necrópsia apresentam-se com músculos e tecidos conectivos com extensas áreas de equimoses, os linfonodos apresentam-se infartados e congestos e o saco pericárdio e cavidade peritoneal contém excesso de líquido amarelo-avermelhado, com presença ou não de hemorragias subepicárdicas e subendocárdicas.

A mucosa do intestino delgado e abomaso apresentam-se hiperêmicas, como também a submucosa do rúmen e abomaso, com o conteúdo intestinal apresentando-se semifluido ou pastoso com uma coloração amarronzada, em que após o deslocamento ou retirada da mucosa do rúmen e abomaso, as paredes apresentam manchas avermelhadas de contorno irregular.

O fígado apresenta áreas de degeneração e a bile pode estar difundida nos tecidos adjacentes.

São encontradas grandes quantidades de exsudatos serosos no peritoneo, pleura e pericárdio.

O baço pode estar flácido e hemorrágico e os rins com congestão de zona tropical.

Aparece portanto um quadro de enterite hemorrágica, com áreas de ulcerações na mucosa do intestino, principalmente com descamações na mucosa do jejuno e íleo. (Valent & Cuteri, 1997), podendo haver a presença de áreas necróticas.

Os materiais que deverão ser colhidos para envio ao laboratório são a alça intestinal com conteúdo (mais ou menos 30 cm), fragmentos de fígado e exsudato abdominal e deverão ser enviados refrigeração para o laboratório.

No laboratório os testes são feitos em camundongos avaliando-se a letalidade do filtrado do conteúdo intestinal, com exame do mesmo para detecção do agente e com posterior soroneutralização com antisoros específicos para tipificação da toxina.

Hemoglobínuria Bacilar

O diagnóstico é feito pelo histórico apresentado, com animais criados em regiões onde a Fasciolose está presente e à necrópsia, encontram-se lesões características pela passagem de larvas de Fasciola hepatica no parênquima hepático e pelo isolamento do agente em lesões presentes no fígado.

Hepatite Necrótica Infecciosa

O diagnóstico é feito pelo levantamento do histórico da enfermidade na região onde está ocorrendo a doença, levando a uma suspeita se for uma zona onde haja casos de Fasciolose e Cisticercose.

À necrópsia, aparecem lesões na face interna da pele com aspecto cianótico, com presença de edemas generalizados subcutâneos e presença de exsudatos nas serosas.

O fígado ao corte apresenta-se com áreas necróticas, bastante congestionado e no epicárdio aparecem pequenos pontos hemorrágicos.

São encontradas grandes quantidades de exsudatos nas serosas e focos de hemorragias do epicárdio.

Como complemento laboratorial colher amostras de fígado, colocá-lo em frasco estéril e enviá-lo para análise sob refrigeração.

Doença do Rim Polposo

Na necrópsia, o fígado apresenta-se congestionado com focos necróticos, pálidos e amarelados, circundadas por áreas hemorrágicas produzidas pela ação das toxinas como também pela multiplicação do agente clostridiano.

O abomaso e o intestino delgado apresentam-se congestionados e os rins estão hiperatrofiados, com aspecto mole tipo gelatina e polposos, o que deu origem ao nome da doença.

Como complemento de diagnóstico, proceder a nível laboratorial o isolamento do agente nas lesões características da doença no fígado, alça intestinal e exsudatos do abdomen.

Mastite gangrenosa - C. perfringens

Isolamento do agente do leite ou de tecidos lesados da glândula mamária.