Ciclo Evolutivo

O ciclo evolutivo dos vermes redondos gastrintestinais e pulmonares são muito parecidos, porém com algumas diferenças básicas que são importantes na sua epidemiologia.

Existem diversos fatores que favorecem ou desfavorecem o aparecimento das verminoses gastrintestinais e pulmonares, dentre eles os fatores físicos, tais como:

  • Clima
    • Chuva
    • Umidade relativa do ar
    • Temperatura
  • Evapo-transpiração
  • Radiação solar
  • Umidade e temperatura do solo

O helminto passa por várias fases de desenvolvimento, do ovo até a sua eclosão e da liberação das larvas até a forma adulta do parasito, sofrendo várias mudas ou ecdises.

Se a temperatura e a umidade relativa do ar estão favoráveis, os ovos que são iliminados juntamente com as fezes na fase de mórula, contendo de 8 a 16 células eclodem e liberam as larvas de 1º estágio ou L1, que passam por 2 mudas, a L2 e a L3, que é a larva infectante.

Os estágios de L1 e L2 se alimentam de bactérias e fungos existentes nas fezes e no solo, onde sofrem as mudas.

O período que vai desde a ingestão da larva infectante até a fase adulta, em que esta fêmea começa a liberar ovos ou larvas, é chamada de período pré-patente.

O ciclo de vida de desenvolvimento dos helmintos é dividida em "Fase de Vida Livre", que vai de ovo a larva infectante ( L3) e Fase Parasitária, de larva infectante ( L3) até a forma adulta.

Os estágios de L3 se mantêm protegidos do meio ambiente pela cutícula que ficou retida quando mudaram do 2º para o 3º estágio, não se alimentam e se mantêm vivas pelas reservas energéticas, normalmente lipídicas, que acumularam durante os dois primeiros estágios.

A cutícula retida, da à larva infectante uma proteção contra as adversidades externas.

O período pré-patente ou pré-parasitária nos nematóides gastrintestinais e pulmonares, que se inicia com a eliminação de ovos ou larvas nas pastagens junto com as fezes, duram em média de 5 a 7 dias.

O período patente dos nematóides gastrintestinais e pulmonares, isto é, o período que um parasito pode viver parasitando um bovino, varia de 10 a 15 meses, dependendo de vários fatores, como imunidade, idade do animal, sensibilidade etc..

A fase de vida parasitária, que se inicia após a ingestão das larvas infectantes dura, em média de 18 à 28 dias, dependendo das espécies de helmintos.

Isto quer dizer que em cada 40 dias temos em média uma geração de vermes, ou seja 9 a 10 gerações anuais dependendo do clima, estando os parasitos presentes durante todo o ano, com um aumento de infestações no final de verão e início de outono.

O clima é o principal fator para a manutenção e sobrevivência das larvas no meio ambiente, sendo que temperaturas entre 18 a 28 graus e umidade relativa do ar acima de 60%, favorecem o desenvolvimento de formas de vida livre.

Em temperaturas muito altas as larvas se tornam superativas, esgotando as suas reservas energéticas e em temperaturas muito baixas, as larvas se tornam menos ativas, mais lentas, tendo o seu metabolismo reduzido.

As larvas dos helmintos nas pastagens nativas ou cultivadas, têm a sua sobrevivência e manutenção controladas pelas condições climáticas, com amplitude maior de contaminação no início dos períodos de maior precipitação (maior disponibilidade de água) e menor contaminação nos períodos de baixa precipitação pluviométrica (menor disponibilidade de água).

Portanto, se as condiçoes são favoráveis,elas permanecem viáveis por todo o ano, em que a translação (movimentação ou transferência) das larvas, podem ser controladas, como por exemplo no período seco onde ela é menos rápida e durante o período chuvoso, onde a translação é mais rápida.

Larvas podem permanecer durante meses nos bolos fecais, que são depositados no início do período seco e que se encontram espalhados nas pastagens (cerca de 6 meses ou mais).

Estes bolos fecais são excelentes fonte de L3 (larvas infectantes) e quando liberadas da massa fecal, essas larvas infectantes podem sobreviver até dois meses na vegetação.

Hipobiose ou Desenvolvimento Larval Inibido


É o período em que as larvas de 4 º estágio dos nematóides, têm o seu desenvolvimento interrompido ou inibido no trato gastrintestinal dos animais, no qual as larvas infectantes após ingeridas pelo hospedeiro, se deslocam para o seu local de parasitismo penetrando na mucosa do tubo digestivo, onde se alimentam de células descamadas e fluidos tissulares, dando início a uma fase chamada de histotrófica ou tecidual.

É um fenômeno que ocorre numa pequena proporção de espécies de vermes, sendo que algumas têm alta tendência para se inibirem, como a Ostertagia ostertagi.

A presença de grandes quantidades de larvas de um mesmo estágio no trato gastrintestinal de um animal, em uma época não favorável para obtenção de uma infecção, caracteriza a hipobiose.

O ambiente tem influência direta no desenvolvimento do processo de inibição que ocorre dentro do trato gastrintestinal, em que a hipobiose se caracteriza pela localização das larvas de 4 º estágio na submucosa do estômago e intestino dos animais, onde permanecem em processo de hibernação.

Sempre que as condições externas são desfavoráveis, portanto nos períodos frios e secos (Junho, Julho) e nos períodos quentes (Janeiro, Fevereiro), o número de larvas inibidas é significativamente maior.

Coincidentemente, quando as condições externas de temperatura e umidade, são favoráveis para a sobrevivência dos parasitas, como por exemplo no início da primavera, voltam à luz do estômago e intestino, onde completam a sua maturação sexual e ovipositam grandes quantidades de ovos.

Com isto, determinam o aumento da quantidade de larvas infectantes nas pastagens, provocando grandes surtos de verminoses, levando a um processo de diarréia nos animais, que pode confundir com a diarréia causada por broto de capim.

Ainda não se conhece o mecanismo que faz com que as larvas inibidas deixem a submucosa para se desenvolverem para formas adultas.

Acredita-se que este processo seja determinado por uma alteração no organismo do animal, causando mudanças fisiológicas internas, desencadeando todo o processo.

É como se o animal mandasse um aviso para as larvas; saiam que o ambiente lá fora está favorável para o crescimento e manutenção de sua família.

O processo de inibição pode também ser desenvolvido como resultado de uma imunidade adquirida, como também em situações de faixa etária dos animais, sendo importantes num processo de epidemiologia.

Neste processo de inibição deve-se considerar como importante, a sua maturação em ocasiões do ciclo de reprodução dos animais, como nas proximidades do parto ou no próprio parto.

A hipobiose sob o ponto de vista epidemiológico, tem muita importância, por dois motivos: primeiro, assegura a sobrevivência dos parasitos quando as condições externas à ela são desfavoráveis e segundo, aumenta a contaminação das pastagens por larvas infectantes.

Resumindo, a hipobiose proporciona um reservatório de infecções inaparentes de larvas, que podem ou não, complicar um tratamento com anti-helmíntico e interferir nos resultados dos programas de controle.

Aumento Pós-Puerperal


E ste fenômeno é conhecido como Aumento Peripuerperal (APP), que ocorre no período que antecede o parto e no período pós-parto, havendo um aumento na eliminação de ovos nas fezes, o que é demonstrado quando na realização do OPG.

Estudos desenvolvidos em ovinos para descoberta das causas deste fenômeno , demonstraram que sua etiologia pode ser resultado de uma queda temporária da imunidade associada à alterações nos níveis circulantes do hormônio da lactação, a prolactina.

Parece haver uma relação entre a queda da imunidade, parasitismo e aumento da produção de prolactina, em que o parasitismo aumenta quando o nível de prolactina está alto.

Isto quer dizer que, uma vaca de alta produção, no seu pico de produção leiteira, sem apresentar uma sintomatologia clínica de uma infestação por verminose, está mais sensível aos efeitos patogênicos de uma verminose, do que uma vaca fora deste pico, ocorrendo uma queda na produção de leite, que não é percebida pelo criador.

As causas principais do Aumento Pós-Puerperal, são os seguintes:

  • Em função da queda de imunidade do hospedeiro, ocorre uma maturação de larvas inibidas
  • Há um aumento das infecções adquiridas nos pastos e uma redução na renovação dos vermes adultos, ocorrendo assim um aumento na população de vermes no trato gastrintestinal, com aumento da patogenia
  • Os vermes adultos aumentam a sua capacidade reprodutiva, aumentando a sua fecundidade e consequentemente aumentando o nível de infestação das pastagens.